Hedge cambial: quando proteger e quando aceitar o risco
A pergunta que mais recebo de CFOs de empresas exportadoras é sempre a mesma: "Vale a pena fazer hedge agora?" A resposta que sempre dou é a mesma: depende do que você está tentando proteger e de quanto custa essa proteção.
Com o dólar a R$ 5,38 e volatilidade implícita nas opções de câmbio em torno de 14% ao ano, o custo do hedge está elevado. Um exportador que queira travar o câmbio para os próximos seis meses via NDF (Non-Deliverable Forward) vai pagar um prêmio que reduz sua margem de forma significativa.
A lógica do hedge não é especular
O erro mais comum que vejo é tratar o hedge como uma aposta direcional. "Vou fazer hedge porque acho que o dólar vai cair." Isso não é hedge — é especulação com instrumento de proteção. O hedge correto parte de uma pergunta diferente: qual é o câmbio mínimo que torna meu negócio viável?
Se sua empresa precisa de pelo menos R$ 5,00 por dólar para fechar as contas, e o câmbio atual está em R$ 5,38, você tem uma margem de 38 centavos. A questão é: vale pagar o prêmio do hedge para garantir que essa margem não vai ser corroída por uma apreciação do real?
Quando não fazer hedge
Há situações em que o hedge não faz sentido. Se sua empresa tem receitas e custos naturalmente balanceados em moeda estrangeira, o risco cambial líquido pode ser pequeno. Se o custo do hedge supera o benefício esperado da proteção, a matemática não fecha. E se você tem capacidade de absorver volatilidade cambial sem comprometer a operação, aceitar o risco pode ser a decisão mais racional.
"Hedge é seguro, não investimento. Você paga para não perder, não para ganhar." — Luciana Prado
O que importa é ter uma política cambial clara, documentada e consistente. Empresas que fazem hedge de forma ad hoc, reagindo ao humor do mercado, tendem a ter resultados piores do que as que não fazem hedge algum.